A VELHINHA DA MINHA RUA.
(Recordação autêntica)
Vem às vezes sentar-se à minha porta,
Aquela velhinha que mora ao fim da rua,
Não sei porquê, seu gesto, aliás, não imporá
Até gosto ouvi-la, é como viver na lua!
Quando tenho tempo, minha fala a conforta:--
--“Então, D. Micas como está? Essa saúde flutua?...
--Ai, meu filho, a minha longa idade corta
Cá vou indo, cá vou indo, já nada atenua!
Ali está, horas e horas, palrando com todos,
Sempre trocista! Sempre afável, com bons modos,
Contando histórias, factos como ninguém…
Ai, como gosto de vê-la, ali como sentinela,
Sua alegria de viver, assim tão tagarela,
Lembra-me, oh! Se me lembra minha santa Mãe!

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