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Criando Poesia
Faço da vida um criar de Poesia

15/08/2008 GMT 1

A VELHINHA DA MINHA RUA.

nelsonfontes @ 07:43

(Recordação autêntica)

Vem às vezes sentar-se à minha porta,
Aquela velhinha que mora ao fim da rua,
Não sei porquê, seu gesto, aliás, não imporá
Até gosto ouvi-la, é como viver na lua!

Quando tenho tempo, minha fala a conforta:--
--“Então, D. Micas como está? Essa saúde flutua?...
--Ai, meu filho, a minha longa idade corta
Cá vou indo, cá vou indo, já nada atenua!

Ali está, horas e horas, palrando com todos,
Sempre trocista! Sempre afável, com bons modos,
Contando histórias, factos como ninguém…

Ai, como gosto de vê-la, ali como sentinela,
Sua alegria de viver, assim tão tagarela,
Lembra-me, oh! Se me lembra minha santa Mãe!

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