A VELHICE NÃO PERDOA!
( Dedico este soneto ao meu querido amigo
Sr. JORGE VICENTE residente na SUIÇA)
Tudo passou no turbilhão do tempo cruel,
Que nos faz transpor assim, graves barreiras,
Sabe Deus com que amargo ou mesmo revel
Contra tudo e todos debelamos asneiras!
Apesar de tantas lutas, mantém-me fiel
Meus sonhos subiram alto, além fronteiras
Quis subir mais, mas o tempo traidor, em tropel
Levou tudo implacável, nas suas fileiras!
Mas acabei por sucumbir como qualquer
Nas garras do tempo, não há quem meta a colhér,
A velhice dá-nos o resumo que nos espera...
Tudo acaba é, fatal, n’um pesar intranquilo,
Entre quatro paredes sombrias d’um asilo,
A recordar constantes a distante primavera!

Do Melhor
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