O NOSSO CONHECIMENTO!
(À DOLORES, RECORDANDO…)
Recordo o primeiro dia que te vi,
Era verão, à tardinha, ao sol pôr…
Eu disfarçadamente logo te segui,
Pra em outra maré te falar de amor!
Desde esse belo dia senti,
Algo em mim embriagador!
Vestias um vestido de largos folhos,
Que condizia com a tua esbelta figura,
Onde teu rosto e teus belos olhos,
Irradiavam alegria e doce ventura!
Pensei logo: vou ter escolhos,
Pra colher a fruta madura!
Assim, passaram um bom par de meses,
A seguir-te febril pra te declarar tudo,
Mesmo pertinho de ti e, quantas vezes,
Abria a boca, ciciava e…ficava mudo!
Pra mim isto eram revezes,
Mas não desistia, contudo!
Mas a sorte estava traçada, afinal
Minha constância não teve limites,
Um dia saiu enfim um fino madrigal,
Todo burilado de calor e…arrebites!
E vi, teu rosto doce, divinal,
Mudar de cor, como convites!
Impregnado em requintada cortesia,
Meu amável galanteio começou assim:
--“Menina, posso fazer-lhe companhia,
Preciso de lhe falar um pouco de mim”…
Por favor, com isto não se ria,
Nosso destino tem este fim!
Tu sorriste feliz, deste-me coragem
E, eu repeti com anseio o galanteio,
Julguei ir pelo Olimpo de viagem,
Tudo era boa música e flores, creio!...
E, em galante linguagem,
Falava, falava, sem receio!...
Assim, começou um longo namoro,
Que se tornou um AMOR portento,
Mesmo jovens, nada, nada saiu goro,
Que se tornou n’um bom casamento!
Foi assim, um ditoso coro
Meu e teu conhecimento!

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