O POVO CANTA
O POVO CANTA
Ao meu amigo Jorge
Vicente com AMIZADE,
residente na Suiça.
O tempo tudo desgasta,
Até a dor com densidade,
Pode penosa estar gasta,
No fundo fica a saudade!
Afasta sempre sem rancor,
Todo aquele te magoou-a,
O desprezo pode compor,
A alma de qualquer pessoa!
Surge uma quadra na vida,
Que nos fazem andar à toa,
Procurando a rota devida,
Que só tarde aparece boa!
Palavras leva-as o vento…
Diz o povo, sem meditar
As palavras sem sentimento,
Têm espinhos, fazem sangrar!
A amizade é o bálsamo da vida,
Escreveu alguém com saber,
Este cheiro tem tanta duvida,
Que s’vapora sem a gente ver!
Mais vale um amigo na praça,
Que muito dinheiro na arca;
Hoje, vimos, é uma desgraça
Os amigos são de fraca marca!
Tudo na vida se faz com amor,
Mas, atenção com tal febre,
Porque os excessos de calor,
Não há vidro que não quebre!
O Inverno e a velhice,
São na nossa vida iguais,
A neve é a tal ligeirice,
Que vai gelar nossos natais!
A vida é carta de jogar,
Que nunca se pode ver,
Mesmo a saber baralhar,
É mesmo difícil vencer!
Falei-te d’amor com juízo
--Eis como na vida me governo—
Contava encontrar o paraíso,
Ai, meu Deus que inferno!
Quando a tempestade agita,
Dentro de nós com fragor,
Então é que a alma grita,
Ai, valha-me nosso Senhor!

Do Melhor
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