SONHO?...
À dolores, recordando
Não foi um sonho, não, querida, meu tesouro,
Aquele passeio a sós no jardim botânico,
Entre densos arbustos eu te beijei vulcânico,
Que na minh’alma s’ergueu um divino louro!
Não foi um sonho, não, foi um doce pânico,
O nosso beijo foi do desejo o grande estouro,
Que já há muito vivia em quente fervedouro,
Só esperava em ambiente bem, orgânico!
Não foi um sonho, não, esta doce ventura,
D’um momento que eterno na vida dura,
Que a alma de vez em quando agita, aquece!...
Não foi um sonho, não, sonho ou necedade,
E, contudo, é tão grande esta f’licidade,
Que ‘inda às vezes um pesadelo me parece

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