A MINHA MÃE!
(Soneto n’uma lápide em azulejos
Na campa
Da minha mãe!)
Trinta anos, pouco menos são volvidos,
Que tu deixaste a terra pelo céu,
E nesses anos todos decorridos,
Tua lembrança dentro de mim viveu!
Leve recordação dos tempos idos,
D’aquela que tão fundo amor me deu,
Nos dias, para mim quase esquecidos,
Em que minh’alma mal te conheceu!
Buscando em vão, teu vulto estremecido,
Agora, que aprendido tenho amar-te,
Saudosamente choro o bem perdido...
Com meus beijos, afagos e ternura,
Como eu quisera ter podido dar-te
Longos dias de amor e de ventura!

Do Melhor
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