RICO GANANCIOSO
Um ricaço lá minh’aldeia,
Com fama (re)conhecida,
Tinha na loja escondida,
Uma arca de notas cheia!
Um ladrão de forma sabida,
Roubou-lhe sua colmeia,
E, ainda lhe deu uma tareia,
Que lhe deu cabo da vida!
Murmuram por lá os antigos,
Que a coisa foi muito bem feita,
Foi um dos justos castigos…
Porque tinha alma suspeita,
Não ajudou vizinhos nem amigos,
Tive do destino a receita!
Conta uma lenda lá n’aldeia,
Um ricalhoiço d’esses tais,
Com fama d’um bom pé-de-meia,
Mas de cupidez era demais!
Na vida só trabalhou com veia,
Pr’amealhar bons cabedais
Um fogo de suspeita feia
Levou-lhe todos seus reais!
O homem que nunca fez bem,
Viu-se pobre, só, sem ninguém,
A bradar: -- Deus! Como sofro aqui…
Esqueceu-se do sábio anexim,
Que diz, mais ou menos assim,
Faz bem, se queres que te façam a ti!

Do Melhor
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