DESCRIÇÃO DO DOIS AMORES
…Ou o museu poético de Belverde)
AMIGOS:
DOIS AMORES é, vivenda rara que descrevo,
Situa-se n’uma travessa, de muito sossego,
N’um gaveto preciso que lhe dá mais enlevo,
Que nos of’rece um desmedido aconchego!
Cercada por uma grade artística, que devo
Dizer, é obra-prima d’um velho solarego,
Que é um encanto, pois dá-lhe mais relevo,
Co’as glicínias em aristocrata apego!
Tem nove pilares, com painel d’azulejo
Com uma quadra alegórica à vivenda,
Quem passa lê com gosto todo este cotejo….
Que brindo o DOIS AMORES co’o meu louvor,
Porque esta casa é, foi, da nossa lida a prenda;
Porque esta casa foi pr’acolher nosso amor!
(2)
Pode-se ver o quintal, com uma laranjeira,
Dá gostosos frutos que causam, talvez, inveja
Aqui e ali, uma florinha modesta viceja,
Que orna muito bem o jardim, ó de que maneira!...
Aqui a deusa Flora é rica, pra que se veja
No meio, verduras, flores e, por todo lado, cheira
O balsâmico das glicínias, que, quem s’abeira
Diz logo: --Esta casa, um grande amor adeja!...
Frontal, pode-se ver, (ler) madrigalesco soneto,
N’um gigante painel d’um artista d’azulejos,
A eternar o AMOR que é, sempre foi, o amuleto…
De seres com trabalho conseguiram seus desejos,
A casa dos sonhos sempre teve este folheto,
Que tudo que se lê, foi do amor seus manejos!

Do Melhor
Linkk
del.icio.us