O RECHEIO DO DOIS AMORES
(1)
AMIGOS:
Já versejei, em todos os ângulos o DOIS AMORES,
Jardim! Quintal! Flores! E, todos painéis d’azulejos,
Mas é notável, olvidei seus sóbrios interiores,
Que encerra lembranças d’inesquecíveis festejos!
Os móveis são d’estilo escolhido pela DOLORES,
Que caprichou e, satisfez, todos seus desejos,
Tapetes! Bibelôs! Pratos! Salvas são primores,
Louças pra todos os eventos ou raros ensejos!
Mas o que realça mais são as poéticas molduras,
Que adornam as paredes a lembrar amor e, venturas
De aniversários, festas, e, a c’roar S. Valentim!
Quadros! Lembranças! Tudo lindo com mil poesias,
Todos armários estão cheias de belas alegorias,
A c’roar e festejar o AMOR que aqui não tem fim!
(2)
Mas tudo é maravilhoso, bom gosto, com efeito,
Aliás a Dolores prima, primou, seu bel-prazer,
Não há riqueza, há somente bom gosto e preito,
Aqui, como se admira, AMOR tem que haver1
Foram vinte e cinco anos d’emigrantes a eito,
Cada ano se comprava algo que se pode ver,
Onde a, poesia tinha, tem lugar de respeito;
Onde o nosso Deus, benzeu e continua benzer!
É assim a casa de dois impecáveis emigrantes,
Que realizaram seus sonhos com forças gigantes,
Que nos levou a juventude que jamais se tem…
Mas não se pode ter tudo; disto estamos certos,
Mas há a riqueza aqui tem, estamos cobertos
Co’o retrato ali apoiar da nossa querida mãe!

Do Melhor
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