OS MEUS AMIGOS:
Os meus amigos! Oh! Deus, os meus amigos,
Todos mereciam bem parangonas e artigos,
Que cada frase fosse punhais ou agulhas,
Tartufos espertos de teatro polichinelo,
Ilusionistas que do péssimo faziam belo
Só lhe posso dar um nome exacto: PULHAS!
A adulação d’esses era normal fronha
Onde deitavam a cabeça. Deixam peçonha,
Não fazem ruído, dormem até tranquilos,
Fugir d’eles ou agir de armas iguais,
Esses no fundo são inimigos mortais,
São piores que do cancro os bacilos!
Amigos sinceros que tive nos braços,
Dei mesa com requintes bem melaços,
Dei forças, ajudei nos bicos, tapei dores
Em tudo fui paradigma de boa vontade,
Nada valeu, tão espontânea actividade,
Porque não retribuíram, foram traidores!
Amigos? Só são quando batem à porta,
Depois de guiados nada mais importa,
Não sei por quê, sempre assim acontece,
Tantos fazem bem com razão de auxilio,
Mas abalroam sempre o grato domicilio,
Diante de tal, o bom cuidado arrefece!
Aqueles que frequentara a minha casa,
Tiveram grato afecto, mesa e, mesmo asa
Que careciam, estavam já desorientados,
Eu era todo nobre, protector, até santo
Mas leitores a pura inveja é um manto,
Que os vis corrompe por todos os lados!
Eu jamais acredito sincero em ninguém,
Que louve ou ajoelhe por mal ou bem,
Que abonem superlativos ou maravilhas,
Os actos e tempo, é que serão o espelho,
O resto, são gosma tóxica com bedelho,
Ou pior, vómitos de castos pandilhas!
Amigos? Amizades? Leitores, um conselho,
Ouçam! Meditem bem, neste claro espelho,
Amigos sim, poucos com tino, escolhidos
A vida, sem eles é um jardim sem flores,
Os meus foram cínicos, curiosos actores,
Mas creio, que existem bom e queridos!

Do Melhor
Linkk
del.icio.us