DOIS MARES.
Medito. À minha volta pulsa um mundo;
Vejo-o no mar convulso e no insondável
Convulso mar da humanidade, o instável
Mar das paixões , soturno e gemebundo!
Vejo-o através do espaço interminável;
Nos astros; vejo-o no mar fecundo
Ventre da terra, no âmago profundo,
Da natureza eterna e inesgotável!
Dentro de ti também, minh’alma ansiosa,
Um mundo imenso de ilusões pulsava,
Mundo que a dor desmorona lutuosa,
E d’ele apenas, hoje que o deploro,
Resta-te ó alma infortunada e escrava,
O grande mar de lágrimas que choro!

Do Melhor
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