REFLEXO TARDIO
( A todos emigrantes espalhados
Pelo mundo além.)
Vejam, sou emigrante há vinte e cinco anos,
Ou seja, vinte e cinco anos de gigante lida,
Que juro, nunca tive tranquilo outra vida,
Senão lutar como mouro e, pensar nos planos1
Prazeres? Foram esquecidos! Nós seres humanos
Somos assim, loucos a sonhar co’a falaz subida,
Não vimos a armadilha tão hábil estendida,
Que caímos n’ela, entre desastrosos enganos!
Dou balanço. Prós e contras e, aterrado pasmo,
Com o que fiz, cúpido com tanto entusiasmo,
Que hoje velho, faço estas perguntas a tremer!:--
Que vale ter dinheiro e não ter juventude?...
Que vale ter dinheiro e não ter fixe saúde?...
Que vale ter dinheiro, não posso como nem…beber?

Do Melhor
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