SILÊNCIO MISTERIOSO
Silêncio, aqui em todo escritório;
Silêncio que me arrasa, merencóreo;
Silêncio sepulcral de cemitério…
Silêncio a dominar este ambiente,
O silêncio do passado do presente,
Que m’envolve n’um duende de mistério!
Sentado à secretária; procuro, no espaço
Que o silêncio m’inspira e me dê um abraço,
Pra compor um soneto de craveira:
Mas a noite triste, denegrida,
Parece, qu’escarnece da própria vida,
Que normal passa, e o estro não se’abeira!
Desesperado, debato-me nesta feroz grilheta,
Mas a vontade diz; com ela ninguém se meta
Que aparece além no páramo, infinito…
E, pela janela, fico a olhar pelo escuro,
A sentir aquele silêncio, acre, obscuro,
Que se crava dentro de mim, fundo, aflito!
Só Após o arrebol, irrompe Apolo,
E o dia volta a casa com fresco consolo,
A minh’alma acorda tudo com toda brida,
Liberto, enfim deste gigante pesadelo,
Meu sentir desperta airoso, até com zelo,
Entoa sinfonias a encomiar a vida!

Do Melhor
Linkk
del.icio.us
Simplesmente incrivel.
Demetre | 10-04-2008 - 19:02:32 GMT 1 #