O VENTO DA MANHÃ.
À DOLORES
Hoje, aqui no meu quarto, sonho, divago,
No amor passado e, nesta louca jornada,
Que passei amante e, vejo tanto estrago,
Que recordo em tempo, dizia, não é nada!
O silêncio é fundo flébil, bastante vago,
O amanhã vai surgir, já se ouve a passarada,
Ali na hera, pipila seu trinado mago,
Já sinto o eflúvio do vento da madrugada!
Que é como mensageiro amável, ditoso,
Deliciar-me d’aquele momento de gozo,
Que o vento d’aurora levou encher d’elegias!...
Ali fico a saborear leviano o Deus Eolo,
Porque aqui no meu jardim é um consolo,
É a DOLORES que o trata com todas primazias!

Do Melhor
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del.icio.us