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Criando Poesia
Faço da vida um criar de Poesia

Categoria: Sonetos

01/04/2008 GMT 1

NOITES INESQUECÍVEIS

nelsonfontes @ 06:27

No meu tempo de jovem…Deus! Como tempo voa—
Meu feitiço era, vadiar pelo Bairro Alto,
Tabernas! Bordeis! Zorras, mas o ultimo assalto,
Era ouvir o fado na “Severa”, então casa boa!

Certa noite, eu o Tristão vivemos um sobressalto,
N’uma tasca com marujos, e uma bela rascoa,
Ouve briga, “bófia” e, se a mente não m’atraiçou-a
A noite foi passada no xelindró n’um salto!

Mas isso não foi nada, logo na noite seguinte,
O feitiço dos bordeis pra nós tinha acinte,
Repetiam-se as cenas por qualquer meretriz!

O Tristão antes d’actuar ali perto na SEVERA,
Vadiava! Bebia! Bebia, era aquela atmosfera,
Assim os excessos “levaram” o Tristão, porque quis

AMOR HOMEM E MULHER

nelsonfontes @ 06:01

AMOR HOMEM E MULHER
Por um amor qualquer homem é, vagabundo,
Façanhas! Derriços! Ilusões mesmo ruínas,
Passa grande temporada quase no imundo,
N’uma dificuldade como escolher as “meninas”!

A juventude pode ser um sucesso rotundo,
Até lá tem que perscrutar em muitas esquinas,
As mulheres foram, são, um enigma profundo,
Que quase sempre, nem decifra, nem descortinas!

Passa-se o tempo com casos, sérios, diversos,
Sem chegar à escolha, há exemplos perversos,
Um passo em falso, pode ter problema bicudo!

Um amor! Uma mulher! São dois casos distintos,
É preciso ver, sondar, seus múltiplos instintos,
Porque, senão, tua vida jamais tem escudo!

31/03/2008 GMT 1

QUEM FOI CAMÔES…

nelsonfontes @ 17:06

CAMÕES, poeta, brilhante imorredoiro,
Sempre lembrado, fonte lídima da poesia,
Sonetos, décimas, sátiras escritas a ouro,
Uma vida atribulada, cheia de elegia!

Nas escolas é ensinado como tesouro,
Quem foi? Como viveu, realidade ou utopia;
Seu LUSÍADAS ficou pró mundo vindouro,
É lido, relido como séria pansofia!

Quem foi? Foi um herói mais que imaginas
Que em Ceuta e Ormuz ergueu lábaro das quinas
Deixando por África todo seu patriotismo!...

Quem foi? Quem foi? Foi um poeta de jaez,
Mostrou ao mundo como era o sangue português,
Um herói! Um poeta, de vernáculo lusismo!

30/03/2008 GMT 1

OS CÃES DO MEU BAIRRO.

nelsonfontes @ 15:56

(Acarinhar animais,
Amigos, nunca é de mais)
AMIGOS:
Sou conhecido no bairro pelo passeio, cedo,
E, pelos cães que me seguem, vistos, famintos,
Talvez não de fome, mas carinhos distintos,
Pois eles sabem que gostosamente lhe concedo!

Por isso, seguem uns os trás dos outros; são instintos
Próprios dos animais que nas ruas têm medo,
Junto de mim, seja qual for a raça, nenhum é azedo,
Eles me farejam, parece feitiço, lá nos quintos!...

Querem mimos! Querem que lhe fale, com festinhas,
Pulam de gozo co’as carícias sinceras minhas,
Por vezes são sete e oito contenteis a trás de mim….

Que não me rala nada os chistosos murmúrios,
Porque cães devem ser vistos como fieis mercúrios,
Que sou amigo d’eles, não vejo nenhum ruim!

ATENÇÃO AOS PALHAÇOS…

nelsonfontes @ 09:33

Sabeis o que é a vida? Feira de palhaços
Que fazem gargalhar com seus aparentes ditos,
Ai d’aquele que acredita em certos abraços,
Acaba por chorar por serem meios malditos!

No circo da vida, é bom ver onde há traços
D’exageros traduzem sempre feros atritos,
Há pessoas que ver o semelhante em pedaços,
É um prazer como sejam esgares bonitos!

Perscrutando fácil da vida os meandros,
Encontramos um bom entre dez malandros,
Que nos entristece este balanço, é, verdade!...

Neste percurso tão pequeno da vida, sobeja
Tão pouco brando há sempre caos ou inveja,
Que murmuramos: --Onde está a sã AMIZADE?...

29/03/2008 GMT 1

ENGANO DE TODOS

nelsonfontes @ 08:45

Quando jovens nunca avaliamos a juventude,
Um jardim único que não pensamos a fundo,
Flores, perfumes, são tantas coisa neste mundo,
Que fica pra trás o intrínseco da sua virtude!

Falo por mim, mas pra todo é tema profundo,
Tão vasto, não há ninguém certo que ajude,
Todos caímos “no deixa andar” que os ilude,
Que só depois, qualquer, fica meditabundo!

O tempo passa, já tarde grita: “ó se soubesse”…
Eterna frase que mais adiante aparece
Sem remédio, depois de tanta patetice…

Feita e, tantas vezes o melhor ficou pra trás,
Que torna asnear, quer ser outra vez rapaz,
Mas vê, as portas abertas, sim da velhice!

28/03/2008 GMT 1

ORAÇÃO FILIAL

nelsonfontes @ 05:57

Pela alma de minha mãe,
Rezei uma Salva-Rainha
Que há anos que Deus a lá tem,
Mas continua a ser minha!

Foi a meu lado uma santa,
Aureolada com tanto bem,
Rezei, rezei, a Fé é tanta
Talvez de Deus algo s’obtém!

Ó Deus divino, minha vida
Sem ela não tem medida,
Tudo à volta não s’arruma…

Faltam teus conselhos atentos,
Que ouvi em todos momentos
Te disse: --MÃE! MÃE, só há uma!

26/03/2008 GMT 1

O NAMORO OUTRORA

nelsonfontes @ 11:01

No meu tempo de rapaz tive muitas namoradas,
Recordo bem: A Rita! Tânia! Lili!, sei lá quantas
Por isto ou por aquilo foram, sim, rejeitadas,
Ou por meros enredos ou não as via santas!

Era na era, cujos namoros tinham vedadas
As saídas ao cinema pelas maternais gargantas,
Tudo acabava ali— já via que eram erradas—
As “algemas”eram de mais: nem levas, nem adiantas!

Talvez fosse a fartura ou mesmo meu narcisismo,
No tempo, julga-me Adónis com pretensiosismo,
Então todas tinham estes ou aqueles defeitos!...

Bobagens! No tempo o namoro tinha d’esmero,
Quando hoje é o contrário disto, um exagero,
O amor e namoro têm, vejam, bem, feios efeitos!

23/03/2008 GMT 1

A SOCIEDADE ACTUAL

nelsonfontes @ 08:46

Se tudo se resolvesse com tino, honesto
Que partilhamos nas faces da nossa vida,
Talvez a sociedade não fosse tão ferida
Onde a inveja grassa que assim traz o resto!

Um bom afecto, nem que queira não tem saída,
Acaba em desencanto, triste, em protesto,
Cada um pra seu lado em apócrifo gesto
Tantas vezes nefasto co’a a união traída!

Que gera caos nos sentimentos de cada um
Neste clima, não saímos deste cafarnaum,
Amor! Amizades, criam muitas arrelias!...

Que se tem visto a dar insensatos modelos,
Amigos e amores, acaba em atropelos,
Que custa ver onde havia alegria há elegias!

19/03/2008 GMT 1

A FLORA DO “DOIS AMORES”

nelsonfontes @ 08:31

(1)
Chegou o fulgor da Primavera ao meu jardim,
Laranjeira em flor, tulipas e aleluias,
Exalam seu perfume, mostram sua primazias,
N’um ramalhete onde se destaca o alecrim!

Porém o que mais atrai é, cordão e ramada,
De glicínias que cobrem o artístico portão,
Agora no auge lindo da sua floração,
Os DOIS AMORES parecem casa encantada!

Que m’envaidece a profusão destas cores,
A deusa Flora, veio residir co’os DOIS AMORES
Entremear tudo isto aqui de, ledice!....

Todos anos, feliz, assisto a este espectáculo,
Rebentam sempre assim, lindas sem obstáculo,
Eu não rebento, definho mais já co’a velhice!
(2)
Já há muitos anos m’inebria este panorama,
Buganvílias! Magnólias! Lírios! Rosas,
Pra se mostrarem lindas, atrevidas, vaidosas,
Que de contentamento, m’empolgam em chama…

Reparo, elas sempre bonitas, maravilhosas,
Cada ano que passa vejo que mais s’inflamam,
N’um florir tão activo, parece que me chamam,
Pra eu ver como s’apresentam, orgulhosas!

Neste clima, tantas vezes fico feliz e triste,
Esta glicínia ao tempo e a tudo resiste
Por mais que pode, rebenta sempre com vigores…

E eu amigos? Este encanto nada me entretém
Só vejo saudades que me mostram o Além
A dizer: estás velho, tens que deixar o DOIS AMORES!

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