A FLORA DO “DOIS AMORES”
(1)
Chegou o fulgor da Primavera ao meu jardim,
Laranjeira em flor, tulipas e aleluias,
Exalam seu perfume, mostram sua primazias,
N’um ramalhete onde se destaca o alecrim!
Porém o que mais atrai é, cordão e ramada,
De glicínias que cobrem o artístico portão,
Agora no auge lindo da sua floração,
Os DOIS AMORES parecem casa encantada!
Que m’envaidece a profusão destas cores,
A deusa Flora, veio residir co’os DOIS AMORES
Entremear tudo isto aqui de, ledice!....
Todos anos, feliz, assisto a este espectáculo,
Rebentam sempre assim, lindas sem obstáculo,
Eu não rebento, definho mais já co’a velhice!
(2)
Já há muitos anos m’inebria este panorama,
Buganvílias! Magnólias! Lírios! Rosas,
Pra se mostrarem lindas, atrevidas, vaidosas,
Que de contentamento, m’empolgam em chama…
Reparo, elas sempre bonitas, maravilhosas,
Cada ano que passa vejo que mais s’inflamam,
N’um florir tão activo, parece que me chamam,
Pra eu ver como s’apresentam, orgulhosas!
Neste clima, tantas vezes fico feliz e triste,
Esta glicínia ao tempo e a tudo resiste
Por mais que pode, rebenta sempre com vigores…
E eu amigos? Este encanto nada me entretém
Só vejo saudades que me mostram o Além
A dizer: estás velho, tens que deixar o DOIS AMORES!

Do Melhor
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