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Criando Poesia
Faço da vida um criar de Poesia

Categoria: Sonetos

19/03/2008 GMT 1

A FLORA DO “DOIS AMORES”

nelsonfontes @ 08:31

(1)
Chegou o fulgor da Primavera ao meu jardim,
Laranjeira em flor, tulipas e aleluias,
Exalam seu perfume, mostram sua primazias,
N’um ramalhete onde se destaca o alecrim!

Porém o que mais atrai é, cordão e ramada,
De glicínias que cobrem o artístico portão,
Agora no auge lindo da sua floração,
Os DOIS AMORES parecem casa encantada!

Que m’envaidece a profusão destas cores,
A deusa Flora, veio residir co’os DOIS AMORES
Entremear tudo isto aqui de, ledice!....

Todos anos, feliz, assisto a este espectáculo,
Rebentam sempre assim, lindas sem obstáculo,
Eu não rebento, definho mais já co’a velhice!
(2)
Já há muitos anos m’inebria este panorama,
Buganvílias! Magnólias! Lírios! Rosas,
Pra se mostrarem lindas, atrevidas, vaidosas,
Que de contentamento, m’empolgam em chama…

Reparo, elas sempre bonitas, maravilhosas,
Cada ano que passa vejo que mais s’inflamam,
N’um florir tão activo, parece que me chamam,
Pra eu ver como s’apresentam, orgulhosas!

Neste clima, tantas vezes fico feliz e triste,
Esta glicínia ao tempo e a tudo resiste
Por mais que pode, rebenta sempre com vigores…

E eu amigos? Este encanto nada me entretém
Só vejo saudades que me mostram o Além
A dizer: estás velho, tens que deixar o DOIS AMORES!

17/03/2008 GMT 1

ETERNA DESCONFIANÇA

nelsonfontes @ 09:02

Tudo no mundo é imperfeito e mesquinho,
Então quando se analisa os sentimentos,
Pasmamos com esta catrefa de fingimentos,
Que nos faz retroceder ou conceder carinho!

Seres há, só sabem falsear tais elementos,
Que confundem os filantropos do bom caminho,
Não vale a pena dar exemplos, impera o desalinho
Assim andamos todos ao sabor de tais ventos!

Que empurra nesta força pra desconfiança,
É fácil ver Abel e Caim no nosso meio,
Que nos tira d’alma o sopro da esp’rança!...

Que não se consegue segurar nesta baralha,
Que se acaba por ver todo ambiente feio,
N’aquele que sagramos afecto é um canalha!

16/03/2008 GMT 1

TRIO INDECIFRÀVEL

nelsonfontes @ 11:52

A vida, o amor, a morte, são o trio
Do vigor obscuro da nossa existência…
Qual é o mais influente com seu poderio?
Até hoje ninguém responde nem a ciência!

Que vai advir neste mundo tão vadio!...
Onde o amor vive sob falsa aparência…
Repentina a morte chega sem clemência!
Que nossa vida está sempre por um fio!

Deus que nos deu isto tão perfeito,
Que tudo depende de cada um a eito,
Não permite que se descubra o mistério!

Que só nos resta gerir com sensatez,
Estes trio vingativo, um por cada vez,
Pra que vejam muito longe o cemitério!

O FADO DE SER VELHO

nelsonfontes @ 11:38

Já não sou quem fui. Sou outro, bem mudado
Todas lisonjas são…lisonjas, nada mais,
Só p espelho não mente, dá certos sinais
Qu’envelheci, tudo por já estar passado!

Sou um farrapo humano dos banais,
Triste! Febril, negado por todo lado,
Um velho, ninguém ouve é, este o fado
Sinto, pressinto, homem pra onde vais?...

Penso, tudo acaba como começou,
De zelos como minha mãe me tratou,
Agora é pior, há saudades e, dores!...

Tento alegrar à volta o panorama,
Mas existem mais factores pró meu drama,
É ver-me velho e breve deixo a DOLORES!

15/03/2008 GMT 1

DESPEDIDA TALVEZ DA VIDA

nelsonfontes @ 15:05

…Lá da minha aldeia!

Adeus vales! Matos! Montes! Serras! Algares!
Sarças! Ribeiros! Caminhos! Herdades e penedos,
Matagais! Mimosas! Sobreiros e arvoredos
Bosques! Lameiros! Pinhais! Quintais e, lugares!

Prados viçosos1 Vinhas, além, entre os rochedos,
Bouças! Pastores! Típicos moinhos e pomares,
Corgas1 Dalas! Rochas, que se vêm seculares,
Eu vos deixo, nos vosso eternos segredos!

Adeus! Adeus, vou entrar n’outra curso de vida,
Eu vos eternizo aqui nesta despedida,
Parto, mas minh’alma fica nesta paisagem!...

Mas aí! Toda infância que passei nesta serra,
Fica aqui sepultada e, por todo lado berra,
N’uma elegia que me faz perder a coragem!

URDIR UM SONETO

nelsonfontes @ 09:55

Fazer um soneto bom, com trama exigida
No alexandrino, heróico, requer cultura,
Sinonímia admirável, bem concebida,
Com rimas sonantes pra sensível urdidura!

Com métrica mais possível certa ou medida,
Pra que o leitor tenha deleite na leitura,
Isto é, soe no final na sílaba investida,
Pra que cada verso tenha miolo e textura!
Sempre ligado ao tema com um fio subtil,
Pra chegar ao final, épico, nobre e, gentil,
A mostrar substância com algum anexim!...

Em catorze versos bem feitos na sua trança
Devem ter do autor atenção ou aliança,
Pra manter o interesse do principio ao fim!

14/03/2008 GMT 1

DRESCRENÇA

nelsonfontes @ 10:21

Jesus pregou a doutrina
Que devia gerir o Universo,
Mas pouco a pouco a ruína
Tornou tudo isto perverso!

Impera o cinismo que combina,
Co’a ganância submerso,
Que vimos, fácil, libertina,
Quase a nascer no berço!

Poucos já falam de JEUS,
Que morreu por nós na cruz
É lenda dizem à boca cheia!...

Porque a prédica na igreja,
Hoje não há que a proteja,
Actual aqui é a Judeia!

13/03/2008 GMT 1

QUE BOM…

nelsonfontes @ 10:52

Que bom é ter crenças
Sonhar que tudo é beleza;
E que em toda natureza,
Não há erros nem dif’renças!

Que bom é ver só nobreza,
Mesmo n’alma dos vilões,
Ter sempre Fé nos corações
Dos amigos à nossa mesa!

Que bom é ser trovador,
Sentir tudo cor-de-rosa
Sem nuvens já no sol-pôr!...

Que bom é ter alma pura
A transbordar amorosa
Dia a dia sem amargura!

TRISTE VISÃO

nelsonfontes @ 10:46

Vejam, toda a sociedade vai resvalando
Dia a dia pra caos inesperado,
A luxúria, o impudor mais execrando,
Queremos pôr bons e maus do mesmo lado!

Um grupo manhoso e aboninando
Dirige a ralé de modo inadmissível,
De ávidos abutres, dobre bando,
Logra o pudor tornar coisa possível!

Vai perdendo a família a peanha,
Onde dantes fulgurou deslumbrante,
Ninguém quer fazer nada sem artimanha!

Nem respeito às santas e boas raízes,
Negra mancha qual fístula purgante,
Corrói os fundamentos das raízes!

DEFINIÇÃO DIFICIL

nelsonfontes @ 10:21

(EUCLIDES CAVACO em cada semana
Uma surpresa poética. Apreciem bem
Os seus poemas poetas. É o nosso
Orgulho. Parabéns! Força Euclides!
Com AMIZADE.

AMIGOS:
Definir EUCLIDES, poeta ou declamador,
É difícil, muito difícil, por bom que seja
Euclides é uma estrela com tal fulgor,
No actual Parnaso causa muita inveja!

É um dotado com tudo, amigos, sim senhor,
Seus bons poemas são aquilo que se deseja;
Declamador é aquela Fénix, que veio compor
A falta que deixou Villaret, pra que a gente veja!

Eu, amante da poesia e destas coisas bonitas,
Todos os dias clico lá no seu Livro de Visitas,
É um prazer ouvir algum fado de Lisboa!...

Por vezes fico triste, outra ao Céu me guinda,
Porque pra mim, ouvi-lo é a coisa mais linda
Sua voz é, pr’alma uma excelente c’roa!

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