Administra o teu Blog

Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis

Criando Poesia
Faço da vida um criar de Poesia

Categoria: Sonetos

15/08/2008 GMT 1

A MAGIA DO SONETO

nelsonfontes @ 08:03

Tudo, num poema, como n’um romance,
N’um soneto, como n’um conto; deve
Concorrer para o desfecho.
Um bom autor tem já em vista a sua última linha
Quando escreve a primeira.
(Charles Baudelaire)

Adoro o soneto com culta e fina trama,
Cheia de lirismo e bucolismo como é feito,
Com bom anexim que d’ele se tire proveito,
E, quando é d’amor vibra alto sua chama!

N’ele Bocage, Petrarca, Alves, deu-lhe jeito
Difícil d’imitar e que ‘inda hoje s’aclama
Florbela deixou ao mundo como se ama;
Camões continua a ser na escola o eleito!

Não esquecer o jovem Casimiro d’Abreu,
Cujo romantismo tem tudo que a gente gosta,
Amor! Estro! Ideia, que tão jovem morreu!...

Mas de tantos que li: Alorna! Sabugosa e Dias,
Há um pouco lido, o popular Fernandes Costa,
Seus sonetos são a fonte das minhas poesias!

A VELHINHA DA MINHA RUA.

nelsonfontes @ 07:43

(Recordação autêntica)

Vem às vezes sentar-se à minha porta,
Aquela velhinha que mora ao fim da rua,
Não sei porquê, seu gesto, aliás, não imporá
Até gosto ouvi-la, é como viver na lua!

Quando tenho tempo, minha fala a conforta:--
--“Então, D. Micas como está? Essa saúde flutua?...
--Ai, meu filho, a minha longa idade corta
Cá vou indo, cá vou indo, já nada atenua!

Ali está, horas e horas, palrando com todos,
Sempre trocista! Sempre afável, com bons modos,
Contando histórias, factos como ninguém…

Ai, como gosto de vê-la, ali como sentinela,
Sua alegria de viver, assim tão tagarela,
Lembra-me, oh! Se me lembra minha santa Mãe!

REFLEXO TARDIO

nelsonfontes @ 07:29

A todos emigrantes espalhados por
Esse mundo além.

Vejam, sou emigrante há vinte cinco anos,
Ou seja, vinte e tantos anos de gigante lida,
Que juro, nunca tive, tranquilo, outra vida
Senão lutar como mouro a pensar em planos…

Prazeres? Foram esquecidos; nós, seres humanos
Somos assim, loucos a sonhar co’a falaz subida,
Não vimos a armadilha tão hábil estendida,
Que caímos n’ela, entre desastrosos enganos!...

Dou balanço, prós e contras, aterrado pasmo,
Co’o que fiz, com tanta cupidez e entusiasmo,
Que hoje velho, faço estas perguntas a tremer:…

Que vale ter dinheiro e não haver juventude?...
Que vale ter dinheiro e, não ter grata saúde?...
Que vale ter dinheiro, não posso comer, nem,,,beber?...

14/08/2008 GMT 1

MULHER MODERNA

nelsonfontes @ 10:43

(Ante o saber duma mulher astuta,
Cícero e Pascal nada sabem—Campoamor)

(os que falam sempre bem das mulheres,
Não as conhecem a fundo;
Os que falam sempre mal delas,
Não as conhecem de todo:-- Pigault-Lebrun)

Porte d’hercúles, altiva, atlética,
De olhar pomposo, artificial,
Com andar provocante sensual,
Imperativa, audaz, frenética,

Vaidosa, hábil, ardente imoral!
Aventureira, febril, patética,
Cínica, inabalável, especial,
Picante, azougada, imperial!

Pratica desporto másculo, viril,
Sempre na moda, assim é gentil,
Que de arrojo, por vezes tem graça…

Bem disposta a “pescar em águas turvas”
Eloquente, fugaz, pronta prás curvas,
Tal é a jovem do séc’lo que passa!

12/08/2008 GMT 1

ANDO NA LUA…

nelsonfontes @ 13:52

À DOLORES
Dizem p’r’aí, “picantes”que me distraio,
Que ando na lua; tudo é bobice completa
Ninguém sabe o tal devaneio d’um poeta,
Sem sua MUSA, vê-se apático em desmaio!

Sem tua gentil imagem, n’um torpor caio
Tanto se me dá que chegue ou não à meta,
Autómato, minha vida tornou-se discreta,
Que não posso ser de modo algum papagaio!

Sem ti, ando na lua ou a lua anda em mim,
Que não me dá energia pra ver o meu fim,
Que a vida me azeda e, normal pra trás corre…

Sou poeta! Poeta por ti, que me inspiras,
Ando na lua! Loucos! Sim, não são mentiras,
Sem ti, sou tudo, meu AMOR, até que morra!

07/08/2008 GMT 1

OUTRO PORQUÊ

nelsonfontes @ 10:07

( Um velhinho soneto meu
Publicado no meu primeiro livro
FOLHAS DA MINHA VIDA 1992)

Dissabor inarrável…infinito anseio…
Noite de insónia, glacial, seca e escura…
Qual mar revolto, em ondas de amargura,
Entra no peito a dúvida, o receio…

Por que nos traz amor a desventura?
Porque nos não consente em doce enleio,
Sem que nos traga, assim, toda assim cheio,
O coração, d’um mal que não tem cura?...

Porque extingue do bem viver a calam?...
E nos fere e mata?!—se ela é a vida
Da nossa vida e a alma da nossa alma?...

E porque lhe chamamos sempre – AMOR?!
--Se pra quem amam verdadeiramente
Ele é sempre o ciúme unido à dor!

OS PORQUÊS NA VIDA!

nelsonfontes @ 07:42

Os porquês da nossa vida são tantos, tantos?!...
Um por exemplo que m’agita e, inflama,
É aquele que não ter o teu corpo na cama
E, não posso ir ao Céu em todos sete cantos!

Tenho insónias, pesadelos!...Ó Deus quantos,
Pra quem tanto ama é um vulcão em chama,
Que me queima, gela sem o no posso programa,
Eis um porquê que amargura com desencantos!

Porquê sozinho neste quarto cheio de duendes?...
Porquê não vens, e nos teus braços me prendes?...
Eis um porquê com muitos porquês abismais!...

Que me consulto todas as noites sem resposta,
Que me levam a perguntar gosta ou não gosta,
São um inferno estes porquês vivos, sensuais!

06/08/2008 GMT 1

TEMPO PERDIDO

nelsonfontes @ 08:29

Gastei no amor tantos anos, os bons talvez
Da minha vida estroina, perdi-os, sem juízo
Sem remorso, julgando encontrar o Paraíso
Com mulheres, por vezes vi pela prima vez!

Quantos galanteios perdidos por um sorriso,
Suspiros! Descontes, versos de embriaguês,
Conheci-os, até gozei algumas mercês,
Com amores ligeiros, por pouco perdi meu piso!

Quantas lembranças de damas de tope figura,
Com paixonetas— embora breve— frui ventura,
Sim! Tanto, tanto amor me passou pela vida!

E, do amor, nada sei nem mesmo patavina,
E, cada rosto de mulher gostosa, divina,
Dá-me a impressão de folha ainda não lida!

OS PORQUÊS DA NOSSA VIDA

nelsonfontes @ 07:53

Hoje o quotidiano precisa de sensatez,
Pra vencer sempre este ao aquele obstáculo,
Os porquês da nossa vida são um tentáculo,
Que inibem aproveitar algumas mercês!...

Há o SE que não deixa consultar o oráculo,
Do amor que baralha com duvidas e…porquês
Ama? Não ama? Ó deus! Será certo desta vez
Ter enfim na vida a ventura o espectáculo!

Tudo que se faz há os porquês por todos lados,
Há fantasmas! Há judas à mesa convidados,
Que tantas vezes abrem amarguradas f’ridas!...

Cujas sequelas não deixam qualquer reflexo,
Que até há porquês na sensualidade no sexo,
Que nos arrepia tantos porquês na nossa vida!

04/08/2008 GMT 1

O QUE É A VIDA!

nelsonfontes @ 07:33

O que é a vida? Indago dentro de mim
Tanta, tanta vez, sem encontrar resposta,
Tudo que sonhei belo, feliz, teve fim
Nunca neste campo venci, qualquer aposta!

Vida? Que caminhos são os teus assim,
M’envolvi, crente, com tudo que se gosta,
Só encontrei problemas, gente falsa, ruim
Que concluo, como és d’apuros composta!

Tentei ser honesto como é, um homem
Esqueci, afrontas, até a que consome
Pra ver se te seguia, na tua atmosfera!...

Tudo saiu falso, sob um qualquer revés,
Que sempre que tentei saber quem tu és,
Encontrei a porta aberta a dizer:-- Espera!...

Arquivo | Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis