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Criando Poesia
Faço da vida um criar de Poesia

Categoria: Quadras

19/03/2008 GMT 1

A INVEJA NINGUEM DESEJA.

nelsonfontes @ 10:05

A inveja nunca mais finda,
Nesta sociedade traiçoeira,
E o pior de tudo, ainda
É ver gente séria, em fileira
Perdida, traidora, malfazeja,
Tanto que ninguém a deseja,
Nem passa, nem sequer s’abeira,
De debelar o mal da inveja!

16/11/2007 GMT 1

QUADRAS

nelsonfontes @ 12:10

O tempo passa sem regresso,
Vejam, leitores como é verdade,
Passou por mim em excesso,
Hoje, estou com esta idade!

Não digas tudo que sabes,
Nem creias tudo que ouves,
Nem teus inferiores menoscabes,
Nem teus superiores louves,
Porque isto são coisas graves,
Que podem ter muitos entraves,
Casual com isto te arroubes!

14/10/2007 GMT 1

QUADRAS POPULARES.

nelsonfontes @ 10:02

Se o casamento durasse,
Anos e anos sempre iguais,
Talvez um dia me lançasse,
Mas, toda a vida…é de mais!

À chave fechei meu peito,
Mal te vi, beleza tamanha,
Ninguém d’entrar tem direito,
Sem licença, nada ganha!

Não vens?...Tudo afianças,
Isto é, comigo conspiras…
Fico a forjar esp’ranças,
Em quanto tu forjas mentiras!

Sempre que de ti me separo,
Minh’alma, que não quer ir,
Faz um movimento bem raro,
Parece fora do corpo sair!

Nosso amor?!...Não fales mais,
Não recordes seus extremos;
Diz: os caprichos são iguais,
Que ambos um dia tivemos!

Queres ver já minha ruína,
Sem amparo, sem conforto,!...
Meu coração examina,
Podes ver já está morto!

18/09/2007 GMT 1

AMIGOS! AMIGOS!

nelsonfontes @ 18:18

Co’os amigos é preciso olho,
Atento em todos os casos,
Porque dissimulam um escolho,
Que nos pode arrasar, rasos!

Sim, isto é verdade sem trama,
Que não admite qualquer mistura,
Um amigo bom, quando se chama,
Deve aparecer logo na altura!

Confiar, sim, mas com reserva,
É preciso que não s’esqueça,
Porque o que a gente observa,
É de deitar as mãos à cabeça!

Cedo ou tarde, tais lamúrias
Vês o problema que nos dá,
Porque dos amigos, injúrias,
São pra nós o pior que há!

Não sejas muito útil, com fim
De não te porem ao abandono,
Olha que o homem é um mastim,
Que não conhece bem o dono!

Se pensares negociar, sério
Que trate de vários artigos,
Ouve, na altura, com critério,
Opta por todos, menos amigos!

Porque, vais ter problemas,
Ou coisas mesmo mais chatas,
Pões a ti próprio algemas,
Com coisa nenhuma as desatas!

Tudo que faças, faz um exame,
Que possas andar pela certa,
Porque se apanhas um vexame,
Tens ter a cara descoberta!

30/08/2007 GMT 1

QUADRAS SOLTAS

nelsonfontes @ 08:19

(Escritas bem especialmente
Para agradecer à distinta
Poetisa (?) “Juca Medeiros”
seu comentário)

Não confies assim, excessivo
Com palmadinhas nas costa,
Querem empalhar-te talvez vivo,
Ou retalhar a alma em postas!

Isto são verdades gigantes,
Que é preciso ver e ponderar,
Porque há p’r’aí tantos tratantes,
Que só andam bem a enganar!

É fácil ver-lhe a baba,
Que de peçonha tem tudo,
Que agente, pronto acaba,
Pra lhe fazer o estudo!...

Todas as voltas que se lhe dê,
Só lhe descobre maus passes,
Que logo se avista o porquê,
Porque tê cínicos, duas faces!

Nunca socorras à espera
D’um obséquio ou desejo,
Essa gente, boa, sincera,
Come sempre muito queijo!

Custa ver esses ingratos,
Que à nossa volta deslizam,
Porque só limpam os sapatos,
Quando dos amigos precisam!

Há p’r’aí tantos deste modelo,
Manhosos pra todas as marés,
Mas quem aviste seu zelo,
Melhor é, fugir a sete pés!

É pena anotar tudo isto,
Que digo, aqui com verdade,
Vale mais lidar com Mefisto,
Que alguns com sua amizade

21/07/2007 GMT 1

A MELHOR COMPANHIA

nelsonfontes @ 14:28

Dedicado a todos amigos dos animais)
AMIGOS:
Há dias no meu passeio, ouvi este comentário:
--“É pá, olha, lá vem o “velho” co’os três cães?..”
Dito em tom de sarcasmo à lá salafrário!...
Fiz que não ouvi, meu civismo, tem outros bens!...

A Kikas Rex eTintona, têm sim, zelo diário,
São amigos reais, fixes não são charlatães;
Antes sua companhia neste meu itinerário
Que esses, porventura, nem respeitam suas mães!

Esses tais hoje, zombam. Um dia não têm ninguém
Até os cães fogem deles com puro desdém,
Porque animais sabem, certo quem lhe quer bem…

Ser Velho e ter AMIZADE de três cachorros,
Vale mais que ter companhia três falsos zorros,
Com eles sinto-me protegido até peço socorros!

Nelson Fontes Carvalho
Belverde/ Amora
XI/MMVI

18/07/2007 GMT 1

TROVA

nelsonfontes @ 10:38

Quis descrever minha Mãe,
Como é seu profundo trato,
Mas o amor que ela me tem,
É impossível tal retrato!

À minha DOLORES:

Perto de ti meu amor,
Vislumbro, ledo futuro,
Quero-te sim, com todo ardor,
Não duvides, por favor,
Pelos deuses, sincero juro!

O MAR

Ò mar! Ó mar! Ó mar imenso,
És mais fundo qo que penso,
Isto sincero, crente peço,
Não t’enfureças meu maroto,
É desgraça um maremoto,
O povo à fuga não tem acesso!

14/07/2007 GMT 1

QUADRAS MENSAGEIRO

nelsonfontes @ 11:05

É este o mar que a gente ama
Que nos deu tantos milagres,
Com as caravelas do GAMA,
E do feito que partiu de Sagres!

Este é o mar de PORTUGAL,
Que tanta história tem,
Que recorda sempre Cabral,
Quando partiu ali de Belém!

Chegou finalmente a hora,
Que se esperava um dia,
Veio morar aqui pr’AMORA,
Um Mensageiro da Poesia!

Chegou a hora da verdade,
De revelar a velha profecia,
AMORA acolheu com vaidade,
O Mensageiro da Poesia!

Este mar que a gente adora,
Traz sempre à memória,
Os marinheiros d’AMORA,
Que se cobriram de glória!

Foi ali no cais do Tejo,
Que houve os primeiros planos,
Ir com as naus em cortejo,
Descobrir os nossos oceanos!

QUADRAS POPULARES

nelsonfontes @ 09:48

QUADRAS.

O sol quando nasce é pra todos
Diz o provérbio sabedor...
Mas o palácio do meu vizinho,
Não me deixa ver em redor!

Santo homem! O que tens?...
Quais são as longas penas?...
Deixa lá ladrar esses cães,
Ainda há alegrias amenas!

Santo homem! O que tens?..
Quais são teus sofrimentos?...
Ainda vão surgir parabéns,
Pra teus novos eventos!

Honras! Sorrisos em demasia,
Meu amigo, não t’iludas,
Olha que hoje em dia,
Inda se dá o beijo de judas!

Desconfia das ajudas,
Sem que peças, bem aberto,
Pensa que o beijo de judas,
Ainda há quem o dê esperto!

Anda o mundo em demanda,
Não há quem ponha a mão,
No fanatismo que o comanda,
Só pra guerra e não têm pão!

Escravo do seu aprumo,
O homem d’hoje só tem,
Olhos bem abertos pró sumo
Bem grande que tem o vintém!

Boa sorte lhe auguro,
No rumo da vida incerto,
Goze, goze porque o futuro,
É céu pouco descoberto!

Quatro palavras d’amor,
Ao ouvido d’uma mulher,
Podem ter muito valor,
Quem bem esperto souber!

Conheci meu amigo CHICO,
Além quando pedia na rua;
Herdou. Agora é muito rico,
Quando me avista, recua!

Mas como vive na grandeza,
Gasta, gasta sem avaliar,
Vai cair, com toda a certeza,
Depois vai-me encontrar!

Quem canta seu mal espanta,
Diz um velhinho anexim,
Mas dá-me um nó na garganta,
Negar beijinhos ao Joaquim!

Pelos teus olhos cor de céu,
Pelos teus cabelos dourados,
Serei fiel escravo teu,
Até ao cem bem puxados!

Quem há que não deva amar-te
Assim com rosto tão lindo?...
É como levar um estandarte,
Abanar o que estou sentindo!

Amor de forma tão vária,
Que aparece ali à esquina…
Há tanta coisa contrária
Que marca sempre a nossa sina!

Não te quero para nada,
Digo sempre com meus botões,
Mas se partes, ó alma penada,
Sou um mar de aflições!

Quando t’encontro na rua,
Ó minha prenda adorada,
Nem adivinhas o que se acentua,
Na minha mente enamorada!

Vem daí rapariga vem,
Não te posso esquecer,
Vamos ver minha mãe,
Que dirá o que fazer!

Parou por falta de vento,
Aquele barco, alem no mar,
É como meu pensamento,
Com a falta de teu olhar!

O mar que vejo além,
Agitado, fundo sem fim,
É como minha vida que tem
As ondas dentro de mim!

Já não sou quem era d’antes,
Nem nada que se pareça,
Meti-me com duas amantes,
Vejam, perdi mesmo a cabeça!

A mulher é a beleza humana,
Revista, correcta, ilustrada,
Que assim o homem engana,
Mesmo sem fazer mais nada!

A nossa casa é um altar,
Que se adora, que se deseja;
E se conjuga o verbo amar,
A toda aldeia causa inveja!

Saudades, tenho saudades,
Da minha pequena aldeia
Quando minhas futilidades,
Tinham sempre certa tareia!

No tempo os sonhos se vão,
Nesta apressada atitude:
Triste em imensa solidão,
A recordar a juventude!

Saudade, palavra pura,
Contem fel em grandes travos,
Quanto mais em nós dura,
Mais a vida tem agravos!

Nos dias tristes sombrios,
Com chuvadas abundantes,
É como nosso amor aos corropios,
--já não é como era dantes!

Com o tempo tudo se cura,
Diz o ditado com saber,
Não te vejo, que amargura,
O tempo só faz sofrer!

Uma mulher é um manjar,
Que me apetece dizer:
Que se come com um olhar,
Muito antes de se comer!

Jesus pregou a doutrina,
Pra que todos a recordem,
Mas os homens, triste sina,
A misturam com desordem!

Apesar de Zé-Ninguém
O pobre é digno de trato,
Não tem pão…nem tem vintém,
Mas sorri…como um gaiato!

As riquezas deste mundo,
Pra mim não têm valor…
Eu sou rica, aqui difundo,
Nos braços do meu amor!

09/07/2007 GMT 1

A POESIA

nelsonfontes @ 23:58

A poesia é, arte rica
De cultura e perfeição,
E, quem a tal se dedica,
Acelera sua instrução!

Compor um bom poema
Com inteligente efeito,
É, dar ao mundo emblema,
Que pode ter proveito!

Construir um bom soneto,
Composição tão propicia,
Mostra algo completo,
D’engenho, estilo e perícia!

A quadra que é obra pequena,
Que qualquer pode inventar,
Pega com ideia na pena,
Enche-a d’ alma popular!

Contudo mete-lhe recheio,
No seu corpo diminuto,
A quadra tem de ter no meio,
Delicado e sábio tributo!

Quadra simples arrebata,
Pra andar na boca do povo,
Que a acolhe e acata,
Sempre com símbolo novo!

Toda a poesia encanta,
Afasta qualquer tormento,
Quem canta seu mal espanta,
Diz o ditado com talento!

Poeta, a ideia não é nova,
Compõe segundo tua ideia,
Com saber que tem a trova,
Seja o rastilho d’aldeia!

Ser poeta é, ser eleito
Do povo todo por aí fora,
É este o melhor preito,
Que toda gente a adora!

Poeta, vê como escreves,
Sê popular na tua trova,
Com sílabas, sábias e breves,
O povo vai tirar a prova!

Nelson Fontes Carvalho – Belverde - Amora

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