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Criando Poesia
Faço da vida um criar de Poesia

Categoria: poemas

20/10/2007 GMT 1

SE EU PUDESSE…

nelsonfontes @ 08:43

Se eu fosse inspirado por Callíope,
Deusa das musas, égide das poesias,
Só assim, cantaria minhas dores,
Como cantou Casimiro D’Abreu e Dias!

Se eu pudesse, seguindo neste aprumo,
N’esta vida de breves e dura aflições,
Descrevia o meu viver e, seu rumo,
Com o talento, como fez Camões!

Se eu, fosse culto poeta, e, se pudesse
Na fonte Aganipe ir me cultivar,
Seria mesmo feliz quando morresse,
Assim, deixava escrito como é amar!

Se eu, pudesse dedilhar, minha lusa
Esboçar o que, foi um grande amor,
Se minh’alma triste sempre, m’acusa,
D’escrever descantes com amargor

Oh! Se eu pudesse gritar fremente,
Nesta poesia meu profundo ultraje,
Que sinto ser poeta sem semente
Com nos deixou o nosso genial Bocage!

Nelson Fontes Carvalho
AMORA / Belverde
P. S:
AGANIPE:==Fonte da Beócia dedicada às Musas
Onde os poetas se iam inspirar.

16/10/2007 GMT 1

EM DIA DE FINADOS

nelsonfontes @ 14:42

(2de Novembro 2007)
Dobram fúnebres os sinos,
Pela atmosfera calma!
Junto à sombra dos ciprestes,
Eu sinto triste minh’alma!

É o dia dos finados
Que foram estremecidos;
Quantos ais, quantos soluços
No dia dos esquecidos!

Um pai, a irmã ou filha,
A mulher que idolatramos,
Entes a quem mais queríamos
Aqueles por quem choramos!

De todos nos recordamos,
Mas já é pó das ossadas,
Não pode ouvir nossos ais,
N’aquelas tristes moradas!

Ouvem-se as preces dos céus,
Entre os soluços e dores,
E, com lágrimas regadas,
As campas recebem flores!

Junto à sombra dos ciprestes,
Eu sinto triste minh’alma!
Dobram fúnebres os sinos
Pela atmosfera calma!

É um dia bem aborrecido,
Com recordações aos molhos,
Ao lembrar o ente querido,
Lacrimejam nossos olhos!

18/09/2007 GMT 1

ADEUS PRIMAVERA

nelsonfontes @ 18:27

Por estranho que isto pareça,
Como entendem, não sou maluco,
Nunca me passa pela cabeça,
Que a genica viril, arrefeça
Que me tomem por velho caduco!

Deixei de olhar para o espelho,
Com receio de certo desmaio,
Eu que à pouco era fedelho,
Vejo já vermes no aparelho,
Como o tempo passa, com raio!...

Blasfemo só todas as manhâs,
Com esse caso, é a minha celeuma,
Já estão aparecendo as cãs
Nem sei dos tais rasgos titãs,
Pois vejo-me tibío com reuma!

Nada a fazer., claro, são efeitos
Desta corrida nervosa, veloz
Que devemos seguir atreitos
Senão, não saímos já direitos,
É pior, acabar-mos por fim, sós!

Melhor é não atacar o dragão,
Que temos afoitos enfrentar,
Com todos temperos de acção,
Senão temos vida dura de cão,
Que a velhice nos pode doar!

Tempo seguro, ninguém trava,
Temos acompanhar tal corrida,
Senão cada um travesso, cava
A sua cova com tristeza clava,
Que os anos são hiante ferida!

Olho pra trás, vejo, distante
A primavera da doce mocidade,
Tudo passou, já num instante,
Que agora daqui pra diante,
Digo:- que saudade! Que saudade!

Lentamente cai dentro de mim,
Uma onda de tédio que revolta,
Porque tive uma vida jardim,
A mocidade que via não ter fim,
Passou, ligeira, e, jamais volta!

16/09/2007 GMT 1

EU E TU

nelsonfontes @ 08:21

(À DOLORES por tantos favores)
Eu era o peregrino extenuado
Procurando uma sombra no deserto,
Cheio de sangue e pó, rosto sulcado
Pelo pranto de dor, o olhar incerto;

Tu foste meu amparo: no teu seio
Pendi a fronte— prosternado, exangue,
Com tuas mãos de neve, n’um anseio,
Enxuguei minhas lágrimas de sangue,

Eu era a flor pendida no valado,
Exposta aos temporais que traz o Inverno,
Sem ter da brisa um beijo perfumado,
Sem ver da primavera o sol galerno:

Tu foste o sol, e deste-me n’um raio
O vigor que nos gelos eu perdera,
De languidez de amores n’um desmaio,
Me desvendaste o céu da primavera.

Eu era, em pranto, o nauta bracejando,
Em mar cheio de escolhos, semimorto,
Entre as trevas da noite procurando
--nos ermos do infinito— um astro, um porto:

Tu foste a luz d’aurora da bonança,
Rasgando as densas nuvens da procela,
No meio da descrença— uma esperança.
No meio dos negrumes— uma estrela

04/09/2007 GMT 1

A ROSA DAQUELA RUA!

nelsonfontes @ 09:18

Passei pela ROSA na viela,
Outro dia à tardinha, ao sol pôr,
Meus olhos foram atrás dela,
Até ela depois vir à janela,
Que ali fiquei preso de amor!

Assim começou aquele passeio,
Sem pré à viela suja, estreitinha,
Pra admirar da ROSA o meneio,
Do seu belo corpo cheio, cheio
De graciosidade da sua linha!

Tinha garbo. Talvez excessivo,
Que a tornava deveras vaidosa,
Deusa? Sereia? Oh! Tinha motivo
Que passar ali não me esquivo,
Pra ver um rosa chamada ROSA!

Na rua, a donzela tinha fama
Ser dif’rente, quiçá, em pessoa
Que o bairro típico d’Alfama
Com orgulho sincero lhe chama
A ROSA das rosas de Lisboa!...

Uma ROSA tem sempre espinhos,
E segundo na viela se conta,
A ROSA teve outros caminhos,
Até há quem diga...desalinhos
Com paixões de certa monta!..

Embora de sonho, seu sorriso,
Não o despendia, não, a qualquer
A vida talvez lhe desse aviso,
Apesar da beleza é, preciso juízo,
Pra dignificar bem a mulher!...

01/09/2007 GMT 1

CONFISSÃO D'AMOR

nelsonfontes @ 11:16

À DOLORES.
Foi também doido, que queres?...
Estudei, um pouco a fundo,
O coração das mulheres
No peito imenso do mundo!

Soube as paixões, soube os tiques,
A essas várias criaturas,
Ri-lhes das falsas cinturas,
Das poses, dos arrebiques…

Soube a forma pela qual
Pode travar-se um namoro,
Sem passar pelo desdouro
De não dar alguém por tal.

Conheci o mal e os vícios,
E as fraquezas desprezíveis,
E cravei nos precipícios,
Meus olhares insensive3is!

Não sou um ingénuo,, enfim
Um lírico visionário,
Que cri só em mim
Um ideal imaginário.

Que, presa d’um vago encanto,
Cismador, trágico, mudo,
Ande a ver mistério em tudo,
Ou anjos em cada canto!

Mas quando tu, como quem
Atira um ramo de flores,
Me dás o sorrir d’amores,
Que d’alma aos lábios te vem;

Quando o teu olhar m’envolve
Tímido, nobre, tranquilo;
Nadando às vezes n’aquilo
Em que a magoa se resolve;

Eu vejo na isenta calma,
D’essa casta transparência,
Toda a sagrada inocência,
Dos âmagos da tua alma!

E sinto dentro do peito,
Uma singular tremura,
Que de metade é de ternura,
E metade é de respeito!

31/08/2007 GMT 1

CERTO, CERTISSIMO!

nelsonfontes @ 08:56

Se JESUS voltasse um dia,
Ao mundo como hoje está,
Quando visse tanta porcaria,
Não sei mesmo o que faria,
Fugia, logo, não voltava cá

30/08/2007 GMT 1

ORGULHOSA!

nelsonfontes @ 19:22

(Dedicado a…)
É ela uma jovem de porte elegante,
A quem pode certo chamar-se formosa;
Possui os encantos que prendem, fascinam,
Mas tem um defeito— ser muito orgulhosa!

Não é muito alta, tem boa estatura,
O corpo flexível, de cinta é, airosa,
O colo bem feito, tem pés pequeninos,
Mas é (oh que pena) bastante orgulhosa!

Tem lindos cabelos que são quase louros,
Os olhos castanhos, as faces de rosa,
É alva e nacarada qual uma sereia,
Mas é, quem diria? De mais orgulhosa!

A boca é pequena, seus lábios parecem
Florinha purpúrea, gentil, odorosa;
É meiga e faceira qual rola do prado,
Mas tem contra tudo---ser muito orgulhosa!

Terá, quanto muito, três lustros apenas,
E é já bastante coquette, vaidosa;
Mas isso, de certo, não fora defeito
Se ela não fosse demais orgulhosa!

Tem todos os dotes de moça bonita,
Mas é muitas vezes assaz caprichosa,
Seria, contudo, da terra um arcanjo,
Se fosse dócil---não sendo orgulhosa!

Eu pois faço votos e votos sinceros,
A fim de que ela, que é tão rigorosa,
Mudando de génio, se torne uma santa,
A quem se não chame jamais---Orgulhosa!

29/08/2007 GMT 1

A INVEJA NINGUEM DESEJA.

nelsonfontes @ 17:16

A inveja nunca mais finda,
Nesta sociedade traiçoeira,
E o pior de tudo, ainda
É ver gente séria, em fileira
Perdida, traidora, malfazeja,
Tanto que ninguém a deseja,
Nem passa, nem sequer s’abeira,
De debelar o mal da inveja!

28/08/2007 GMT 1

ADEUS PRIMAVERA

nelsonfontes @ 18:02

Por estranho que isto pareça,
Como entendem, não sou maluco,
Nunca me passa pela cabeça,
Que a genica viril, arrefeça
Que me tomem por velho caduco!

Deixei de olhar para o espelho,
Com receio de certo desmaio,
Eu que à pouco era fedelho,
Vejo já vermes no aparelho,
Como o tempo passa, com raio!...

Blasfemo só todas as manhâs,
Com esse caso, é a minha celeuma,
Já estão aparecendo as cãs
Nem sei dos tais rasgos titãs,
Pois vejo-me tibío com reuma!

Nada a fazer., claro, são efeitos
Desta corrida nervosa, veloz
Que devemos seguir atreitos
Senão, não saímos já direitos,
É pior, acabar-mos por fim, sós!

Melhor é não atacar o dragão,
Que temos afoitos enfrentar,
Com todos temperos de acção,
Senão temos vida dura de cão,
Que a velhice nos pode doar!

Tempo seguro, ninguém trava,
Temos acompanhar tal corrida,
Senão cada um travesso, cava
A sua cova com tristeza clava,
Que os anos são hiante ferida!

Olho pra trás, vejo, distante
A primavera da doce mocidade,
Tudo passou, já num instante,
Que agora daqui pra diante,
Digo:- que saudade! Que saudade!

Lentamente cai dentro de mim,
Uma onda de tédio que revolta,
Porque tive uma vida jardim,
A mocidade que via não ter fim,
Passou, ligeira, e, jamais volta!

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