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Criando Poesia
Faço da vida um criar de Poesia

Categoria: poemas

12/04/2008 GMT 1

SER EMIGRANTE

nelsonfontes @ 11:00

(Poesia inserida no meu primeiro
Livro “FOLHAS DA MINHA VIDA”
Editado em 1992)

Ser emigrante é, honra, é brio, vontade,
Procurando longe aquilo que o domina,
Dinheiro, que aos seus lhe dê f’licidade,
Com esforço que ninguém sabe, nem domina!

Lutando sempre, sem quebra, com pundonor,
Amealha algo, algo que vai pondo no cofre,
O tempo passa, e os sonhos criados com amor,
Vão tornando forma, olvida o que se sofre!

Quantas vezes deixando mulher, pais e filhos,
Esfacelado de saudade, dos familiares seus,
Cá vai o emigrante pra espinhosos trilhos,
Guiado co’a sua fé, crente no seu Deus!

As cartas trocadas trazem e levam refrigério,
…Nós estamos bem!...(Sabe-se lá… doce ilusão,
O emigrante em qualquer ponto do hemisfério,
Desdobra-se em esforço, co’os seus no coração!

O trabalho é tremendo, nem se dá por isso,
O dinheiro por vezes vem em larga abundância,
Ele esquece o esforço, a luta parece feitiço,
Mês a trás mês, vive sempre na mesma ganância!

Dinheiro, muito dinheiro! Sonho natural
Pra quem sai do seu País com um objectivo,
Arranjar a vida não importa a luta abismal,
O emigrante merece, o emigrante é, activo!

Emigrante! Símbolo de trabalho, incessante,
Homens dif’rentes em Fé, quase inabalável,
Merecidos d’ajuda séria e reconfortante,
Sua missão é de todos pontos de vista notável!

Certo de vencer esta agitada “batalha”
Aqui estou longe de vós bem confiante,
Deus ajuda sempre quem digno trabalha,
Não tenho pejo de dizer: SOU EMIGRANTE!

10/04/2008 GMT 1

BISCOITOS DE AMOR

nelsonfontes @ 17:06

Dedicado a alguém que gostava
Muito de biscoitos.

Das receitas que eu ofereço,
É esta que tem mais apreço:
Aqui tens dedicada leitora,
Satisfaço tua curiosidade,
Além disso és bem merecedora
De biscoitos de…felicidade:--
--“Um bom naco de compreensão,
Com duas colheres de ilusão,
Bem amassados só, entre dois
Apura-se algo da contextura
Umas pitadas amplas de ciúme
Tudo juntinho, exacto, depois
Vê-se a liga que se procura
Quando a provar…vai ao lume
Em fogo ardente, porque é mau
De sabor, que se precisa, puro
Pra tal é obrigatório e leal
A paixão que venha ao de cimo
O açúcar refinado bem de mimo
Pra esta no ponto belo, ideal
Nesta amálgama de coisas boas
Em tudo besuntar com lealdade
Eis a receita pra duas pessoas,
Terem à mesa biscoitos de felicidade,
E, pra rematar, enfim compor
Tudo com respeito puro, fiel
Salpicar com recíproco vigor
Todos os bocadinhos aos dispor,
Terão biscoitos bons de amor!

21/02/2008 GMT 1

O TEMPO Ó O TEMPO

nelsonfontes @ 09:58

O tempo passa veloz de corrida
Que todos julgam, não ver, doidice,
O tempo com tanta, tanta mexida,
Não dá tempo pra desfrutar a vida,
Acordamos, co’o tempo da velhice!

O tempo é o pior dos inimigos,
Com um raio d’acção nefando,
Pouco a pouco, temos os perigos,
Deixamos d’avistar os amigos,
Até são os piores do bando!

O tempo é como uma tempestade,
Deixa no sua pegada, sua marca,
Que fatalmente certa nos invade,
Ou seja, leva-nos a leda mocidade,
E, mais além as garras da Parca!

O tempo, sempre auto se proclama
Imparável em tudo à nossa volta,
Lentamente nos faz a dura cama,
Velhos, falta de saúde, é o programa
Que tantas blasfémias a gente solta!

O tempo passa, espera a maré,
Pra degolar nossas esp’ranças,
Empurrando-nos no balancé,
Que no fim dá-nos o tal pontapé
Ficamos sós tristes sem alianças!

O tempo é a prenda negra, amarga
No percurso veloz da nossa vida
Por vezes tem tão imensa carga,
Que a gente não pode nem a descarga,
A velhice chega não deixa saída!

No fim, o tempo nem diz adeus,
Pouco correcto, no seu fadário
Nós ou gozamos alguns jubileus,
Ou sim, caímos nos ganchos seus,
A amargurar nosso viver diário!

Quem possa o tempo bom, aproveite,
No trabalho, amor ou no sucesso,
Porque o tempo é um breve deleite,
Que gozado com método é, aceite
Talvez o bom tempo tenha regresso!

10/02/2008 GMT 1

O CHORINHO E A MORENA

nelsonfontes @ 09:35

Esta ciranda da Efigénia Coutinho,
Veio agitar uma a velhinha lembrança,
Aquela jovem d’escultural corpinho,
Que saracoteava um mexido chorinho,
Que minha mente recordar não se cansa!

Reinava grande babaréu n’avenida,
Com musica viva agitar a galera,
O Chorinho seria o choro da minha vida,
Com aquela jovem linda, atrevida,
Parecia que estava à minha espera!

Troava um Chorinho do Ary Barroso,
Sempre presente nestes festejos,
Tudo começou n’um requebro dengoso,
Que se foi tornando mais gostoso,
A aproveitar da dança todos ensejos!

Garota safada, de corpo bem feito,
Dava ao Chorinho todo encanto,
N’um meneio, malandro sujeito,
A tentações d’um tranquilo leito,
Ó meu Deus será que chego a tanto?...

O Chorinho era demais, frenético,
N’um ritmo deveras arrebatador,
Então comecei a ficar sim, poético,
Ousei um galanteio certo, estético,
Que acertei no alvo com tanto…calor!

Logo o Chorinho tornou-se lascivo,
Nossos corpos eram já uma trança,
Retorcidos n’um movimento vivo,
Eu suava, suava, já com motivo,
A garota era fogueira na dança!

Mas nisto, no apogeu d’alegria,
Surge, não sei como tal confusão,
Por todo lado uma louca correria,
Gritos! Policia, ninguém s’entendia,
O Chorinho, claro, tornou-se…chorão!

Aquela garota de corpo formoso,
Que o destino pôs no meu caminho,
Eclipsou-se naquele rolo horroroso,
Eu fiquei, ali, atónito, choroso,
Pela jovem que deixou n’um, Chorinho!

Ainda hoje recordo, a morena,
No desfile animado n’avenida,
Que o Chorinho tornou-se pena,
Por vezes o destino nos condena,
N’um Chorinho eterno toda a vida!

09/02/2008 GMT 1

A FAVELA E O CHORINHO

nelsonfontes @ 16:36

( À ilustre Senhora
Efigénia Coutinho

A aceitar o convite…
A favela vive um burburinho,
Nesta ou aquela azinhaga,
Há música popular, o Chorinho
A recordar o Chiquinho Gonzaga
N’um seu ritmo, típico, dengoso,
Que a galera louca propaga,
O bandolim geme do Ary Barroso
Uma velha melodia que não s’apaga,
Que o povo grato mantém imortal,
O Chorinho brasileiro, é uma saga
A ouvir o inesquecível Durival…
Geme que geme recheada de gozo
N’uma viela, um ou outro mais garoto,
Apertava o harmónio melodioso,
Dedilhando um Chorinho do Peixoto,
Por todo lado gente com frenesim
Não se calava o sonoro bandolim,
O Roberto Carlos era outra voz presente,
Com um Chorinho mexido, quente,
Com frases sensuais, com calor
A favela vivia a dança com amor,
Que só o povo brasileiro sente,
Assim nesta mistura musical,
Samba-se em cheio o Carnaval,
O Chorinho do inolvidável Caubi,
Foi quando me apaixonei por ti
A dançar o Chorinho com loucura,
Que nossa vida tomou caminho,
Que ‘inda hoje a nossa ventura,
Meu amor, foi o mexido Chorinho,
Que lembro com tanta mistura,
O fruto da dança já s’afigura,
Co’o nome: Chico Viola padrinho!..

O NOSSO CHORINHO

nelsonfontes @ 10:19

Vem, meu amor, vem,
Que mal que tem
Este chorinho é bem
Pra me sentir nos teus braços,
Apertadinha como ninguém
Por vezes troco os passos,
Não atino co’os compassos,
Neste sensual vaivém
Tenho até fracassos
Ó meu amor, vem, vem,
Este chorinho contém
Momentos gostosos melaços,
Enlaça-me, melhor, não há quem
Quero me sentir alguém
Mesmo que me faças em pedaços,
Deste chorinho algo sobrevém
Beijinhos! Segredos e abraços,
A noite começou agora: Vem!...

11/01/2008 GMT 1

OH! MEU AMOR SE EU PUDESSE!...

nelsonfontes @ 07:10

À DOLORES:

Oh! Meu amor se eu pudesse…
(Eu desejava… Sou pertinaz…)
Desejar gozar a benesse
Dos lindos tinta anos a trás!

Quando um dia na igreja…
(Recordas aquele frenesim?…)
O velho cura disse: deseja….
Oh! Sr. Cura desejo, sim, sim!...

Oh! Meu amor se eu pudesse…
(São tantos, tantos meus desejos…)
Dava-te o que o amor tece,
Nos nossos primeiros beijos!

Sim, na praia de Carcavelos,
Naqueles dias breves risonhos,
Quando tecíamos castelos,
Na primícia de nossos sonhos!

Oh! Meu amor se eu pudesse…
(Vê os desejos que me movem…)
Senhor! Ouve bem minha prece,
Pra Dolores quero ser jovem!

…Como o esplendor d’outrora,
Nas areias quente do Estoril,
Nos amamos loucos n’uma hora,
Como todo ardor juvenil1

Oh! Meu amor se eu pudesse…
Dava-te muito mais que te jurei,
Mas o que mais m’enobrece,
Cumpri, meu Amor, nunca errei!

Já lá vão distantes anos,
Fomos briosos emigrantes,
Conseguimos todos nossos planos,
E sabes por quê? Fomos amantes!

Graças às nossas energias,
Esforço! Querer! Ter e…dores,
Conseguimos todas alegrias
Erigir o sonho dos DOIS AMORES!

Oh! Meu amor se eu pudesse…
Fazia audaz a mesma façanha,
Enquanto o Abril não desaparece,
Voltava outra vez à Alemanha!

…Pra te dar…Ouve bem, QUERIDA,
O máximo desta virtude,
Aquela maravilhosa vida,
Que gozamos na juventude!

Mais, agora me lembro,
Oh! Não esqueço, não senhor,
Voltava ao Nove de Setembro,
Que juramos o nosso amor!

O tempo não dá mais contacto,
Não volta, nem que quisesse,
Agora só resta de facto,
Oh! Meu amor se eu pudesse!

Nelson Fontes Carvalho (Nelfoncar)
AMORA / Belverde
Portugal

07/01/2008 GMT 1

O SURURU NA CIDADE

nelsonfontes @ 00:39

Há sururu na cidade,
N’um ritmo abrasador,
Esta folia qu’invade,
É o auge da mocidade,
Nas primícias do amor!

O violão toca, toca,
No centro d’avenida,
Eu a trás daquela carioca,
Que teima e me provoca,
Que mudou a minha vida!

Era linda aquela morena,
Com seu corpo quase nu,
Mexia-se de forma amena
Oh! Meu Deus, que pequena,
Contagiou-me tal sururu!

Eu metido na multidão,
Não tirava os olhos d’ela,
Realçava seu modo gingão
Que agitou meu coração,
N’um sururu sem tabela!

Lá vou na sua alçada,
Atraído pelos seus meneios,
Co’o furor da lambada,
Minha mente fascinada,
Fascinada com seus seios!

Meu Deus como era bonita;
Meu Deus como m’enleia…
Aliás noto, não m’evita,
Vê, assim que me excita,
Com pouca roupa m’encendeia!

Rua a baixo, rua acima,
Aquela dança continua,
O sururu nos aproxima;
O sururu foi obra-prima,
Que de gozo se acentua!

Louco não a perdi de vista,
No meio de tal reboliço,
D’uma maneira imprevista,
Acabamos junto na pista,
Co’o amor a fazer serviço!

Foi um sururu agitador,
D’aqueles que qualquer deseja,
Nas ruas de S. Salvador,
Dancei com aquele amor,
Que acabou na igreja!

Assim nossa vida se mexeu,
Neste propicio sururu,
A recordar Zequinha d’Ábreu,
Orlando Silveira no apogeu,
Com seu mexido sururu!

Nelson Fontes Carvalho ( Nelfoncar)
AMORA / Belverde
Portugal
6 / 1 / 2008

04/01/2008 GMT 1

UNS VERSOS PEDIDOS

nelsonfontes @ 12:00

( A certa menina!)

Soube, gentil menina
Em tempos não distantes,
Fazer versos excitantes
De tecer lindos madrigais,
Mas hoje,”seca” a chama
Da remota juventude,
A Musa agora reclama
Muitos cuidados co’a saúde!

Não fiz grandes façanhas
Como esbelto sedutor;
Fui semente trovador
Da beleza feminina,
Atestar o que garanto,
--Aqui tem esta poesia—
Não está má, mas podia
Ter pra ti mais encanto!

Porém, ficou talvez o jeito,
De todo não controlado,
Quando passa a meu lado,
E tenho prazer de admirar
Esta ou aquela formosura,
Como a tua que se mantém,
Eu versejo como ninguém,
Quando vejo tua figura!

Vê, assim a Musa revive,
Anima-se com todo vigor,
Que te digo com todo calor,
Sinto a alma a navegar,
A recordar o tempo fidalgo,
Que bons versos compunha,
Estes são só testemunha,
Pra tua beleza saudar

03/01/2008 GMT 1

PERENE É, O MUNDO

nelsonfontes @ 09:13

Perene será o mundo
Sempre com anomalias,
O pobre, pobre imundo,
O rico, rico d’aleivosias!

Aliás, será sempre assim,
Ó sim nisto é perene,
Que observo, sei, no fim
Não h+a quem o condene!

Uma catrefa de palhaços,
Co’o tal malabarismo,
Só dão largos abraços,
Com falso altruísmo!

O mundo será sempre isto,
Caos por toda a parte,
Tudo em nome de Mefisto;
Tudo em nome de Marte!

Há séc’los que assim é,
Perene com velhos inimigos,
Onde o amor já não tem fé,
De voltar aos tempos antigos!

Nisto será o caos constante,
A vingar o ódio à toa,
E o amor ao semelhante,
É fraco irreal, nem ecoa!

Fazem-se amistosas reuniões,
Congressos e, tudo mais,
Mas a guerra e fome nas nações,
Continuam factos reais!

O mundo é uma bola,
Que rebola em aperto,
Mas a guerra o atola,
Que jamais terá conserto!

Perene é e será o mundo
Será sempre com esse nome;
Crianças que lá no fundo
Ainda morrem de fome!

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