Esta ciranda da Efigénia Coutinho,
Veio agitar uma a velhinha lembrança,
Aquela jovem d’escultural corpinho,
Que saracoteava um mexido chorinho,
Que minha mente recordar não se cansa!
Reinava grande babaréu n’avenida,
Com musica viva agitar a galera,
O Chorinho seria o choro da minha vida,
Com aquela jovem linda, atrevida,
Parecia que estava à minha espera!
Troava um Chorinho do Ary Barroso,
Sempre presente nestes festejos,
Tudo começou n’um requebro dengoso,
Que se foi tornando mais gostoso,
A aproveitar da dança todos ensejos!
Garota safada, de corpo bem feito,
Dava ao Chorinho todo encanto,
N’um meneio, malandro sujeito,
A tentações d’um tranquilo leito,
Ó meu Deus será que chego a tanto?...
O Chorinho era demais, frenético,
N’um ritmo deveras arrebatador,
Então comecei a ficar sim, poético,
Ousei um galanteio certo, estético,
Que acertei no alvo com tanto…calor!
Logo o Chorinho tornou-se lascivo,
Nossos corpos eram já uma trança,
Retorcidos n’um movimento vivo,
Eu suava, suava, já com motivo,
A garota era fogueira na dança!
Mas nisto, no apogeu d’alegria,
Surge, não sei como tal confusão,
Por todo lado uma louca correria,
Gritos! Policia, ninguém s’entendia,
O Chorinho, claro, tornou-se…chorão!
Aquela garota de corpo formoso,
Que o destino pôs no meu caminho,
Eclipsou-se naquele rolo horroroso,
Eu fiquei, ali, atónito, choroso,
Pela jovem que deixou n’um, Chorinho!
Ainda hoje recordo, a morena,
No desfile animado n’avenida,
Que o Chorinho tornou-se pena,
Por vezes o destino nos condena,
N’um Chorinho eterno toda a vida!