ANSEIO NATURAL
Das margens dos meus desejos,
Só queria um bocado pequeno;
De todos os ínfimos sobejos,
Já chegava pra ter cortejos,
D’alegrias pra meu terreno!
Não sou um rabujento, revolto
Com a vida cheia de espinhos,
Vivo! Estou fixe! Vejo-me solto
Nunca mau a Deus a cara solto,
É ELE que dá e tira desalinhos!
De meus sonhos não quero um real
Que podia ser um caro sucesso,
Um pouco mais de sorte geral
Um nada mais sobre todo mal
Que me rala assim, tão possesso!
Restos dos sonhos eram bastante
Pra salvar a bruma em TI, Senhor
Por vezes vejo-me tão vacilante,
Com teu credo que é tão amante,
Mas vejo-me ateu, quase pecador1
Não quero que supere a fartura,
Todos nós somos filhos de Deus,
Até há quem a vida é mais dura,
Pra esses dá-lhe toda a ventura,
E, pra mim adoça os dilemas meus!

Do Melhor
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