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Criando Poesia
Faço da vida um criar de Poesia

Categoria: Dedicados

17/07/2008 GMT 1

A VELHICE NÃO PERDOA!

nelsonfontes @ 09:40

( Dedico este soneto ao meu querido amigo
Sr. JORGE VICENTE residente na SUIÇA)

Tudo passou no turbilhão do tempo cruel,
Que nos faz transpor assim, graves barreiras,
Sabe Deus com que amargo ou mesmo revel
Contra tudo e todos debelamos asneiras!

Apesar de tantas lutas, mantém-me fiel
Meus sonhos subiram alto, além fronteiras
Quis subir mais, mas o tempo traidor, em tropel
Levou tudo implacável, nas suas fileiras!

Mas acabei por sucumbir como qualquer
Nas garras do tempo, não há quem meta a colhér,
A velhice dá-nos o resumo que nos espera...

Tudo acaba é, fatal, n’um pesar intranquilo,
Entre quatro paredes sombrias d’um asilo,
A recordar constantes a distante primavera!

16/07/2008 GMT 1

CASA DOS DESAFIOS

nelsonfontes @ 07:20

(À Dolores)
DOIS AMORES, é casa como outra qualquer,
Só co’a dif’rença deste brioso atavio:
É dirigida com devoção d’uma mulher
Com grande amor aceitou este desafio!

Um sonho, onde não faltou amor e, querer,
Querer sempre com toda alma, com todo brio,
Anos e anos emigrantes entre duro mister,
Cuja dificuldade não causou calafrio!

O DOIS AMORES, aqui está, altiva certeza
Ser o modelo genuíno da casa portuguesa,
Fruto de labor, onde amor e amar, fez planos!..

Quando assim se faz, a casa tem mais valia,
Pra completar a obra foi cheia d’harmonia,
Meu Deus, imploro que seja por muitos anos!

14/07/2008 GMT 1

O NOSSO CONHECIMENTO!

nelsonfontes @ 12:07

(À DOLORES, RECORDANDO…)
Recordo o primeiro dia que te vi,
Era verão, à tardinha, ao sol pôr…
Eu disfarçadamente logo te segui,
Pra em outra maré te falar de amor!
Desde esse belo dia senti,
Algo em mim embriagador!

Vestias um vestido de largos folhos,
Que condizia com a tua esbelta figura,
Onde teu rosto e teus belos olhos,
Irradiavam alegria e doce ventura!
Pensei logo: vou ter escolhos,
Pra colher a fruta madura!

Assim, passaram um bom par de meses,
A seguir-te febril pra te declarar tudo,
Mesmo pertinho de ti e, quantas vezes,
Abria a boca, ciciava e…ficava mudo!
Pra mim isto eram revezes,
Mas não desistia, contudo!

Mas a sorte estava traçada, afinal
Minha constância não teve limites,
Um dia saiu enfim um fino madrigal,
Todo burilado de calor e…arrebites!
E vi, teu rosto doce, divinal,
Mudar de cor, como convites!

Impregnado em requintada cortesia,
Meu amável galanteio começou assim:
--“Menina, posso fazer-lhe companhia,
Preciso de lhe falar um pouco de mim”…
Por favor, com isto não se ria,
Nosso destino tem este fim!

Tu sorriste feliz, deste-me coragem
E, eu repeti com anseio o galanteio,
Julguei ir pelo Olimpo de viagem,
Tudo era boa música e flores, creio!...
E, em galante linguagem,
Falava, falava, sem receio!...

Assim, começou um longo namoro,
Que se tornou um AMOR portento,
Mesmo jovens, nada, nada saiu goro,
Que se tornou n’um bom casamento!
Foi assim, um ditoso coro
Meu e teu conhecimento!

SER EMIGRANTE!...

nelsonfontes @ 11:37

( Dedicado muito especial ao
Sr Jorge Vicente
E, todos emigrantes portugueses
Espalhados por todo mundo…

AMIGOS:
Ser emigrante, não é, o que se julga, labéu
Que deslustre, quando por qualquer lado passe,
Fomos corridos da Pátria, é bom que se trace
Pra que algum reverente nos tire o chapéu!

Pelo lugar ao sol, passa-se pelo mau a réu,
Oh! Deus como é duro semelhante impasse,
Cada emigrante é já visto c’outra classe,
Mas julga-nos vindos do Eldorado ou céu!...

Não! Emigrante, é, ferrar os dentes a tudo,
Lutar, com desespero, vida melhor, conteúdo,
Da conta do banco, casa, talvez viver confuso…

Quantas vezes trabalha, noites sábados e domingos,
Trabalho duro, minas, jardins, suor aos pingos,
Mas no coração palpita todo sangue bem LUSO!

12/07/2008 GMT 1

O AMOR É ASSIM…

nelsonfontes @ 18:56

(À DOLORES)
O amor é martírio… é indisiçao,
É ciúme do presente e do passado…
Às vezes é saudade ou é aflição,
A torturar um pobre apaixonado!

O amor é sempre mau por natrureza
Pois transforma o feliz em desgraçado!
E demonstrado em rara subtileza
Consegue ser o Deus sempre adorado!

O amor é sempre assim…enganador…
Uma forca de cordas de…veludo…
Ventura disfarçada n’uma dor…

--Isso me dizem e eu também proclamo!
Mas inda que sabendo disso tudo,
Cada vez mais, é meu amor, eu te amo!

OS PRIMORES DA DOLORES

nelsonfontes @ 09:44

Um homem sem mulher é como um cavalo sem freio;
Uma mulher sem marido é como um barco sem leme (Autor…?)

Dolores rima com valores, flores e amores,
Que já versejo centenas de vezes direito,
Com todo valimento de meu sofrido peito,
Pelo zelo como tem tratado minhas dores!

É difícil descrever este carinho feito,
Pelos modestos versos pouco esclarecedores,
De tudo nesta doença com tantos horrores,
Uma vez mais rimo a rima certa: louvores!!...

Ainda faltava mais esta grandiosa prova,
De dedicação conjugal— D’amor não é nova—
D’uma mulher que nestas coisas não tem suspeitas!

Um exemplo a seguir pelo mundo feminino,
Pra que o caso, homem e mulher tenha outro tino
Como a Dolores mulher mas mulher às direitas!

11/07/2008 GMT 1

BARCO DO AMOR.

nelsonfontes @ 09:49

DOLORES:
Neste ambiente risonho em que vivemos
Digo e repito esta conhecida verdade,
Nunca houve, entre nós, qualquer tempestade,
Sempre lidamos o nosso barco co’os mesmos remos!

O nosso barco, apesar d’avançada idade,
Galga águas doces com momentos supremos,
Muito mais quando emigrantes que recorremos
Ao bom senso que sempre teve seriedade!

Hoje o barco singra feliz de vento em popa,
No mar pacifico, onde o amor não se poupa,
Que se imiscui em tudo com grande fiança!

Assim nesta harmonia, tudo navega bem,
No DOIS AMORES, apesar dos anos que tem,
supera de longe o cabo da Boa Esperança!

09/07/2008 GMT 1

A CAPPAZ ELEGEU A PAZ

nelsonfontes @ 15:08

A humanidade não pode
Libertar-se da violência
Senão por meio da não-violência.
(Mahatma Gandhi)
“Pouco e em paz, muito e, bem se faz”…
Foi máxima que aprendi no liceu;
Agora, vejo que aqui a CAPPAZ,
Eleva esta máxima ao apogeu!

Venham poetas com vossas ideias,
Pra que a PAZ seja realidade,
Agouro vejo, há facundas veias,
Pode ter forte e mesma utilidade!

Oxalá que o afogo não esmoreça,
Que surjam mais, com boa cabeça,
Pra que os povos vivam em harmonia!...

A CAPPAZ é…Capaz, digo e repito,
Que algures no globo ouça este grito,
D’ouvirem que a Paz não é utopia!

08/07/2008 GMT 1

LAMPEJO PENOSO

nelsonfontes @ 11:21

(A velhice é um tempo, objecto de
Nossos desejos e das queixas (Cícero)

Soneto muito especial que dedico
Ao meu bom amigo, Sr. Jorge Vicente
Residente na Suiça.com AMIAZDE

No decair da vida, a gente logo reconhece
Talvez já tarde um pouco, e com remordimento,
Que tanta coisa vã, que seria nos parece,
É pó, somente pó, erguido pelo vento!

Em dura batalha, se cansa, s’embranquece,
Consome-se a existência, expondo ao fogo lento,
De inúteis dissensões; e, enfim, quando anoitece,
Surge o passado todo, em rápido momento!

Ouve-se então, a voz suprema da verdade,
Que nunca s’escutou, que nunca s’entardece,
E sem remédio, vê-se, em plena claridade,

--Das ilusões rasgadas o fosco e triste véu—
Como nos foi total, a estéril parvidade
De tudo, mal ou bom, que a vida nos encheu!

SONHO?...

nelsonfontes @ 10:56

À dolores, recordando
Não foi um sonho, não, querida, meu tesouro,
Aquele passeio a sós no jardim botânico,
Entre densos arbustos eu te beijei vulcânico,
Que na minh’alma s’ergueu um divino louro!

Não foi um sonho, não, foi um doce pânico,
O nosso beijo foi do desejo o grande estouro,
Que já há muito vivia em quente fervedouro,
Só esperava em ambiente bem, orgânico!

Não foi um sonho, não, esta doce ventura,
D’um momento que eterno na vida dura,
Que a alma de vez em quando agita, aquece!...

Não foi um sonho, não, sonho ou necedade,
E, contudo, é tão grande esta f’licidade,
Que ‘inda às vezes um pesadelo me parece

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